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domingo, 22 de dezembro de 2013

Pensamento do Dia

Uma grande injustiça é, quando alguém julga, ouvindo uma só parte.

João Rosário Matos 
20.12.2013


Imagem: Google


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Melodia Breve

Escrevo rascunhos. Traço memórias.
E parece vir de longe a melodia
que rompe o meu dedilhado.
Doutros tempos, doutros lugares.
Trazida num pensamento,
pela noite fatigada e vencida.
O sonho: uma criança a inventar a vida
num frenesim, à borda-d’água…
Vem de longe esta melodia breve
que me consola e acalma.
Uma fogueira de versos em chamas!

João Rosário Matos

03.12.2013

Imagem: Google

Pensamento do Dia

"Quando alguém passa o tempo a dizer mal dos outros, essa pessoa, revela tudo sobre a sua personalidade e nada sobre a dos outros".

João Rosário Matos
29.11.2013


Imagem: Google


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Parabéns, Mãe!

Tão caloroso é ainda o teu regaço. Deixa-me aconchegar, como dantes.
Lembras-te quando passeávamos pela vida fora, de coração dado?
Talvez não. A tua enfermidade é uma noite escura de breu.
Hoje, já não existe o teu sorriso doirado, como o pôr-do-sol na planície.
Noventa anos! Estás tão distante…
Por vezes, nem sei onde é que estás. Deixa-me acordar-te com um beijo.
Lembras-te quando o teu sorriso era a alvorada dos sonhos?
Guardo esse sorriso, com todo o amor, que tu guardas-te o teu filho.
Agora, o teu sorriso está diferente e a tua força de mulher
Uma fraqueza constante…
Querida mãe: volta a chamar-me “Querido Filho”.
Por favor… Nunca mais te esqueças de mim.
Beijo-te com tanto amor e tanta raiva do alzheimer!

João Rosário Matos

16.10.2013


Parabéns, Mãe!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Segredos de Outono

Já viste o Outono a chegar?
Como o tempo muda no sopro de um vento suão.
Deixa a corrente da ribeira calcorrear
a margem dos meus olhos.
A água é tão doce, a bater na rocha
polida, no momento da vertigem...
Ouves a alegria daquele pássaro a cantar?
Escuta-o bem. Quem sabe, numa folha de Outono,
te traga um segredo para contar!

João Rosário Matos

09.10.2013

Imagem: Google

Dia 9 de Outubro de 1987

Querido filho:
Lembro-me, como se fosse hoje, daquela madrugada de 9 de outubro, do ano de 1987.
Eu tinha passado a noite inteira, com a minha mão em cima de ti (acariciando-te).
Estavas muito agitado, com uma vontade enorme de conhecer o mundo e a vida cá fora.
Também me lembro, muito bem, do último beijo que te dei sob o ventre da tua mãe.
E, acredito plenamente, que esse beijo de amor tenha sido o maior de toda a história do universo!
Eu conhecia todos os teus movimentos e tu conhecias-me perfeitamente. Já eras corajoso e valente, como revelaste vir a ser daí por diante.
Estava uma linda manhã. Soalheira e amena. Repleta de cheiros, cores e prazeres outonais.
Quando saímos de casa já tinhas nome: Pedro Daniel.
Às vezes penso como o teu nome se adequa tão bem a ti e tu a ele. Parece haver uma simbiose perfeita e genética. Gosto muito do teu nome: Pedro Daniel!
Fomos no nosso mini vermelho. Eu conduzia muito devagar com o intuito de vos proteger, mas, confesso, cheio de pressa para te ver nascer. A condução era assegurada apenas com a minha mão esquerda. A direita, estava incumbida, quase exclusivamente de te acariciar. Por vezes tinha necessidade de virar a cassete dos Shadows no auto rádio. Foram essas melodias que nos acompanharam durante toda a viagem. Eu conduzia a vida num sonho lindo.
Do hospital do Gavião (onde por acaso eu nasci) a doutora Gracinda, após observar a tua mãe, mandou-nos seguir imediatamente para o Hospital de Portalegre, avisando-me que ias nascer nesse dia. A boa nova! Eu já sabia. Contudo, nesse momento, o meu coração acelerou descontroladamente ao pressentir o brotar da tua vida.
E os arrepios que senti na minha pele?
Bem, para dizer a verdade, esses, nem os consigo transcrever.
O dia foi longo, muito longo… o maior dia de toda a minha vida. Nesse dia, entrei mesmo em conflito com os ponteiros do relógio, que me pareciam avariados.
Eram 22h40, em ponto, quando nasceste. Finalmente!
Ainda ensanguentado eras um verdadeiro sonho de luz! Esta é a primeira imagem que guardo ternamente de ti.
Choravas desalmadamente, a modos de me doeres no coração. Eu olhava para ti embevecido e sem palavras. Os meus olhos viam pela primeira vez o ser mais belo e perfeito do mundo!
E digo-te agora: das lágrimas, incontidas, que escorreram nos meus olhos, nasceu um rio de alegria, feito de água doce e pura.
Assim que te acabaram de vestir, uma enfermeira simpática, que conhecia melhor do que ninguém, a minha ansiedade, elevou-te e passou-te para os meus braços, a sorrir.
Eras um tesouro! Um sonho lindo dentro do meu peito!
Quando te pronunciei as primeiras palavras, paraste imediatamente de chorar. Reconheceste-me. A partir daí correste-me nas veias para sempre…
Aconcheguei-te no peito da tua mãe, que te soltou um sorriso enternecedor... Beijei-vos com todo o meu amor.
Eu era, agora, o homem mais feliz do mundo…

Muitos parabéns, Pedro Daniel!

E obrigado por seres um filho tão maravilhoso…



domingo, 6 de outubro de 2013

Gavião - Nascidos em 1965

(Para os meus amig@s)

Nascemos em Gavião
No ano de sessenta e cinco
Esta nossa geração
Tem muita garra e afinco!

Amizade sã e pura
É prova de tudo isto
Unidos nesta aventura
Como dantes nunca visto.

Nascemos em Gavião
No alto da terra dos sonhos
E esta nossa geração
É brilho para os seus olhos!

Soberbo este Alamal
Plantado à beira do Tejo
Gavião é Portugal
Este rio é Alentejo.

Nascemos em Gavião
Terra de tão boa gente
E esta nobre geração
Esteve sempre tão à frente!

Como a casta de um bom tinto
Eis uma excelente colheita
(No que à qualidade respeita)
Reserva de sessenta e cinco.


João Rosário Matos
5 de Outubro – 2013


Alamal - Gavião


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Sonhos Inacabados

Existe em mim, uma força desmedida
para mover o mundo.
Mas, tal como Arquimedes,
preciso de uma alavanca e de um ponto de apoio.
Preciso de tudo. Recursos.
E, quedo-me, a escrever versos...

Faz-me lembrar os homens da terra,
lavrando a vida aos bocados
e fazendo a sementeira
dos sonhos inacabados.

João Rosário Matos

03.10.2013
Imagem: Google

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O Teu Corpo é Fado

Dá-me outra luz e outra vida.
Voa comigo num enlevo tardio…
Tal rosa na noite, tua flor cingida,
ao meu corpo fremente de cio.

Dá-me outro fado e outra dança,
na volúpia acesa do teu ventre.
Tal barco no rio, que baila e avança…
Onde me perco e, perdido, sou mestre!

E deixo-me levar na onda suave
do teu batel, bailando a tremer...
O teu corpo é o sol de uma clave.
É o fado de uma guitarra a gemer.

João Rosário Matos

26.09.2013

Imagem: Google

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Poesia

A poesia
rege o sonho
e o desencanto.

A maresia
é um ar que ponho
sob esse manto,

na erudita
alma
do poeta.

João Rosário Matos
10.09.2013
Imagem: Google

sábado, 17 de agosto de 2013

Sonho Livre do Sono

Abraça-me com a loucura da tua pele…
suave manto branco,
em que me abrigo e deleito,
onde enlouqueço, madrugada fora.

Encanta-me com a ternura da tua voz…
no pulsar do meu coração,
a sorrir no timbre dos teus lábios,
quando cantas, amor, cada canção.

Leva-me contigo nas asas do vento…
no sonho livre do sono,
ao acordar despido no teu peito,
nessa onda imensa de prazer.

Seduz-me com a beleza do teu olhar…
um arco-íris no céu
irradia laivos de poesia.
Olha para cima: as cores nascem de ti!

João Rosário Matos
16.08.2013

Imagem: Google

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Porto de Abrigo

Eras tu. Conheci a tua voz.
Entardeci na tua acalmia.
Eras a estrela mais procurada,
no universo das estrelas.
Eras luz na magia da noite;
Radiante, pura e macia…
Eras a lua cheia de sonhos
na palma das minhas mãos.
Desbravei-te com carinho.
Eras o meu porto de abrigo,
o porto dos meus sentidos!

João Rosário Matos
25.07.2013

Imagem: Google

Labareda de Fogo

Sempre caminhei a passos largos, 
confiante nos passos certos.
Nem sempre consegui atingir os meus sonhos,
mas nunca deixei de sonhar!
Procurei o infinito da minha essência
numa encruzilhada de nostalgias.
Repisei espinhos e pedras
de veredas outrora percorridas…
A vida não foi aquilo que eu sonhei.
Traiçoeira!
Levantei-me do chão,
no meio de uma labareda de fogo.
E aprendi, que as plantas, também renascem das cinzas.

João Rosário Matos
25.07.2013

Imagem: Google




sexta-feira, 12 de julho de 2013

Quadras da Ribeira de Margem

A ribeira. A Ribeira de Margem…
Ainda me corre dentro das veias,
Quando embarco nesta viagem
E traço sonhos, a partir destas ideias.

João Rosário Matos
12.07.2013
(primeiro verso)
Fotografia: José Cadete



segunda-feira, 8 de julho de 2013

Palavras Salgadas...

Escrevo para quem, estas palavras?
Não sei…
Ou talvez, sejam para ti,
se fores capaz de as enxaguar.
Afinal, já escrevi tantas palavras,
no rio dos meus olhos,
que verteram salgadas
e desaguaram no mar de água doce,
que eu sonhava existir...

João Rosário Matos
08.07.2013

Foto: João Rosário Matos

quinta-feira, 4 de julho de 2013

O Sol das Searas

Com fulgor, o sol das searas regressa
a este poema!
É uma luz doirada que me aquece,
quando estendo o meu corpo,
à sombra de uma tarde macia.
Ai, como o tempo me abraça
com saudade…
Existe o céu azul e uma nuvem fina
a pairar sobre mim.
Existe o entardecer, como um livro aberto,
na palma das minhas mãos.
E aqui, ao sol das searas,
A desfolhada acontece quando eu quiser…

João Rosário Matos
04.07.2013

Imagem: Google

sábado, 22 de junho de 2013

Sede de Amor

Quando eu bebia água na fonte,
Os meus sonhos eram lambidos,
Pela sede que me escorria na pele,
Em laivos de prazer indefinidos…

Sonhei a vida como um regato
De água fresca, pura e leve…
Pode ter sido um sonho breve
Mas desse sonho não desato!

E parto. Sem destino ou direção.
Com o vazio na palma da mão
E sem máculas de um sofredor.

Vou procurar a fonte da vida.
Onde dantes, a água bebida,
Matava a sede de amor!

João Rosário Matos
10.06.2013

Foto Montagem: Eduardo Mariano Esteves

Amor-Perfeito

Para dizer tudo o que eu sinto,
Ou apenas aquilo que eu sei.
És um sonho muito bonito,
O sonho que sempre sonhei…

O teu sorriso e o mar
E todo o azul reluzindo…
Quando eu ao assomar
Descobri um sonho lindo!

Abraça-me ao entardecer,
Na aragem da tua pele salgada.
Até o por do sol desvanecer,
Abraça-me até de madrugada.

Aninha-te bem no meu peito
Que a minha pele abraça a tua,
Como o céu abraça a lua,
Sonho lindo. Amor-perfeito!

João Rosário de Matos

21.06. 2013


Foto: João Rosário Matos


segunda-feira, 3 de junho de 2013

O Grito do Silêncio

O meu silêncio é apenas a imensidão das horas vagas no tempo.
O negrume da noite…
O meu silêncio é apenas a bruma, desvairada, ao sabor do vento.
O desnorte me açoite!
O meu silêncio é inventar a vida outra vez.
O sonho tão macio…
O meu futuro é o prenúncio, que adio, talvez:
O grito do silêncio.

João Rosário Matos
3.06.2013
Grito do Silêncio



terça-feira, 14 de maio de 2013

25 anos de carreira ferroviária

Dia 29 de Abril de 2013.
Por ocasião do 16º aniversário da REFER, na Sala do Rei, na estação do Rossio.
A homenagem, pelos 25 anos de carreira ferroviária, que muito me orgulho!





quinta-feira, 25 de abril de 2013

Salgueiro Maia

Era uma manhã de luz macia…
(Lembro tão bem esse dia)
Em que num laivo primaveril
Se deu o 25 de abril.

As armas, desembraiadas, faziam história.
E o povo, em festa, cantava vitória.
Na telefonia os relatos eram esperança.
Uma G3, um cravo e uma criança...

Eram cravos vermelhos da cor das armas
A enfeitar canhões de todas as formas...
Nas mãos do povo, os cravos eram liberdade
E os soldados abraçavam o povo com vaidade!

Havia capitães e um homem feito coragem!
Destemido! (Nunca esquecerei a sua imagem).
E que o povo não esqueça e não se distraia...
Porque partiste, tão cedo, Salgueiro Maia?

É que o povo está unido, mas de novo, está vencido...

João Rosário Matos

25 de Abril de 2013
Salgueiro Maia - 25 de Abril de 1974

O Dia 25 de Abril de 1974

A manhã ia mais ou menos a meio, quando a Prof.ª Clara nos mandou todos para casa. Fechou as portas da escola e foi para Torre das Vargens, juntar-se à filha e aos pais. Disse que havia uma revolução! Uma briga lá para os lados de Lisboa… Confesso que não entendemos, nem ficámos preocupados, com tal coisa...
- Ai que vem aí o fim do mundo!
- Ai valha-nos Deus Nosso Senhor!
Gritavam duas mulheres que passavam pela Barroca da Lamega com as mãos na cabeça, completamente atarantadas.
- Quem é que morreu?
Gritava a minha mãe, apavorada, enquanto saía de casa com passos apressados.
- É uma guerra que vem aí!
E corriam em direção às suas casas, cheias de medo, como se a aldeia tivesse sido tomada por invasores…
Eu tinha acabado de chegar da escola. De pé ligeiro, subi ao cabeço da Barroca, para daí, tentar avistar alguma coisa estranha. Ao fundo, a minha mãe gritava e gesticulava atrás de mim, chamando-me incessantemente. E, ao seu jeito, ameaçava:
- Olha que na sexta-feira vou contar ao teu pai!
Sem fazer caso das suas palavras, ali do cimo do mundo, espreitava em todas as direções, mas não avistava nada de anormal.
A aldeia estava cheia de sol, numa linda manhã de primavera.

Era dia 25 de Abril de 1974!

João Rosário Matos
(in: Margem de Sonhos)

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Acredito na Poesia

Acredito que a poesia é o bater do coração!
Vejo o menino a chapinhar no ribeiro.
Um fio de água doce
a beijar as margens verdejantes.
É tarde. Tarde cerrada…
E os meus pensamentos são tão claros
como a poesia que existe nos meninos
quando inventam um mundo melhor.

Acredito que a poesia é o sol das searas!
Vejo o homem a semear esperanças.
Um campo de trigo doirado
a crescer nos socalcos da terra.
É pausa. Melodia breve…
E os meus pensamentos são tão altos
como a poesia que existe nos homens
quando escrevem canções de amor.

Acredito que a poesia é o saciar da alma!
Oiço o poeta a declamar sonetos.
Uma folha de papel em branco
a gemer nas suas mãos inquietas.
É soletrar. Prosas e versos…
E os meus pensamentos são tão inquietos
como a poesia que existe nos artistas
quando pintam o mundo dos sonhos.

João Rosário Matos

21.04.2013

Foto Montagem: Eduardo Mariano Esteves